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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Psicopatas e a crueldade com os animais


Tive o infortúnio de conhecer, conviver e denunciar, por maus-tratos a animais, uma familiar, na época com mais de 25 anos, nível universitário, que "sutilmente" assassinou vários cães, absolutamente dóceis e fragilizados pelo abandono que a criatura sinistra impunha às suas vítimas: um cocker, um boxer, um poodle, dois "viras" e outros. E a infeliz contou, pasmem!, com a cumplicidade de mãe, irmã, marido e cunhado.

Nossa sociedade está muito doente. A perversidade está entranhada em algumas pessoas, nas vísceras, nas células. E a qualquer momento pode aflorar. Devemos estar atentos, denunciar, proteger estes seres indefesos, martirizados por estas verdadeiras pestes chamadas psicopatas.

A figura maligna, que me chama de "louca", ao que parece (felizmente não tenho mais qualquer contato!) virou professora de ensino infantil e se autodenomina "educadora"...

Sentiram o drama?




Crueldade com animais pode estar relacionada à psicopatia





Mentiras frequentes, crueldade com coleguinhas e irmãos, baixíssima tolerância à frustração, ausência de culpa ou remorso e falta de constrangimento quando pegos mentindo ou em flagrante. Os pais podem ligar o sinal de alerta caso essas características comportamentais (somadas a uma série de outras, que podem ser vistas em lista abaixo) ocorram de maneira repetitiva e persistente em crianças e adolescentes. É possível que os filhos tenham “Transtorno de Conduta” e sejam candidatos à psicopatia quando tornarem-se adultos.

“Podemos observar características de psicopatia desde a infância até a vida adulta. Vale ressaltar que o diagnóstico exato só pode ser firmado por especialistas no assunto”, afirma a médica psiquiatra Ana Beatriz B. Silva, autora do livro ”Mentes Perigosas – O Psicopata Mora ao Lado” (Fontanar, 2008). “Além do mais, deve se atentar para a frequência e a intensidade com as quais estas características se manifestam”, explica.

Leia abaixo trecho do livro ”Mentes Perigosas” no qual a médica psiquiatra lista as características que podem indicar tendência à psicopatia na infância e adolescência e aponta as posturas que devem ser assumidas pelos pais.


*

O que os pais podem fazer?

Como já foi dito anteriormente, podemos observar características de psicopatia desde a infância até a vida adulta. Antes dos 18 anos, por uma questão de nomenclatura, o problema é chamado de Transtorno da Conduta. Crianças ou adolescentes que são francos candidatos à psicopatia possuem um padrão repetitivo e persistente que pode ser sintetizado pelas 
características comportamentais descritas abaixo:






















Mentiras frequentes (às vezes o tempo todo);
Crueldade com animais, coleguinhas, irmãos etc.;
Condutas desafiadoras às figuras de autoridade (pais, professores etc.);
Impulsividade e irresponsabilidade;
Baixíssima tolerância à frustração com acessos de irritabilidade ou fúria quando são contrariados;
Tendência a culpar os outros por seus erros cometidos;
Preocupação excessiva com seus próprios interesses;
Insensibilidade ou frieza emocional;
Ausência de culpa ou remorso;
Falta de empatia ou preocupação pelos sentimentos alheios;
Falta de constrangimento ou vergonha quando pegos mentindo ou em flagrante;
Dificuldades em manter amizades;
Permanência fora de casa até tarde da noite, mesmo com a proibição dos pais. Muitas vezes podem fugir e levar dias sem aparecer em casa;
Faltas constantes na escola sem justificativas ou no trabalho (quando mais velhos);
Violação às regras sociais que se constituem em atos de vandalismo como destruição de propriedades alheias ou danos ao patrimônio público;
Participação em fraudes (falsificação de documentos), roubos ou assaltos;
Sexualidade exacerbada, muitas vezes levando outras crianças ao sexo forçado;
Introdução precoce no mundo das drogas ou do álcool;
Nos casos mais graves, podem cometer homicídio.

Vale ressaltar que as características acima são apenas genéricas e que o diagnóstico exato só pode ser firmado por especialistas no assunto. Além do mais, o leitor deve atentar para a frequência e a intensidade com as quais estas características se manifestam.

É muito comum e até compreensível que os pais de jovens com características psicopáticas se perguntem quase sempre em um tom de desespero: “O que nós fizemos de errado para que nosso filho seja assim?”. Os pais se sentem culpados por acharem que falharam na educação dos seus filhos e que não souberam impor limites. Isso é um grande equívoco! Não resta dúvida de que a educação, a estrutura familiar e o ambiente social influenciam na formação da personalidade de um indivíduo e na maneira como ele se relaciona com o mundo. No entanto, esses fatores por si só não são capazes de transformar ninguém em um psicopata.

Não obstante, é muito importante que os pais tenham conhecimento pleno sobre o assunto e que passem a reconhecer a disfunção em seus filhos, dispensando o devido valor que o problema merece. Quando em grau leve e detectada ainda precocemente, a psicopatia pode, em alguns casos, ser modulada através de uma educação mais rigorosa. Um ambiente familiar mais estruturado e com a vigilância constante de filhos “problemáticos” certamente não evita a psicopatia, mas pode inibir uma manifestação mais grave. E aí, fazer toda a diferença. É lógico que estas medidas estão longe de serem ideais, são apenas paliativas e demandam muito esforço e empenho por parte dos envolvidos na criação. No entanto, não podemos desprezá-las para salvaguardar a estrutura familiar e a sociedade como um todo. As posturas que devem ser assumidas são as seguintes:

Procure conhecer bem o seu filho. A maioria dos pais não sabe como ele se comporta longe dos seus olhos. Estabeleça contato com todas as pessoas do convívio dele (professores, amigos, pais dos amigos etc.). Quanto mais precocemente você identificar o problema maiores serão as chances de que ele se molde a um estilo de vida minimamente produtivo e socialmente aceito.

Busque ajuda profissional. Isto é válido tanto para se certificar do diagnóstico dessa criança quanto para que os pais recebam orientações de como devem agir.

Não permita que seu filho controle a situação. Estabeleça um programa de objetivos mínimos para obter alguns resultados positivos. Regras e limites claros são necessários para evitar as condutas de manipulação, enganos e falta de respeito com os demais. Lembre-se que uma criança com perfil psicopático apresenta um talento extraordinário em distorcer as regras estabelecidas e virar o jogo a seu favor. Por isso NÃO CEDA! Se você fraquejar, certamente ela ocupará todos os “espaços” deixados pela sua desistência.

Não pretendo ser pessimista, no entanto, não seria honesto da minha parte afirmar que a psicopatia infanto-juvenil atualmente tenha uma solução satisfatória. O máximo que podemos fazer é adotar posturas no trato com essas crianças no sentido de melhorar a forma como a psicopatia vai se manifestar no futuro.
A psicopatia não tem cura, é um transtorno da personalidade e não uma fase de alterações comportamentais momentâneas.

Porém, temos que ter sempre em mente que tal transtorno apresenta formas e graus diversos de se manifestar e que somente os casos mais graves apresentam barreiras de convivência intransponíveis. Segundo o DSM-IV-TR, a psicopatia tem um curso crônico, no entanto pode tornar-se menos evidente à medida que o indivíduo envelhece, particularmente a partir dos 40 anos de idade.


Centro SJC

domingo, 29 de setembro de 2013

Como alguém é capaz de tais atrocidades?


DEFORMAÇÃO MORAL



"O Mal existe. E tem gente que simplesmente não presta."
                                                                                                              Glória Perez







“Como alguém é capaz de fazer isso?” 



Goiânia, 17 de março de 2008. 


Uma denúncia anônima levou dois investigadores de polícia até o apartamento
da empresária de construção civil Sílvia Calabrese Lima, de 42 anos. 

Sílvia foi presa em flagrante por maltratar e torturar uma menina de 12 anos que
morava com ela havia mais ou menos dois anos. 

A agente policial Jussara Assis encontrou a menina com os braços
acorrentados a uma escada de ferro no apartamento da empresária, localizado num bairro nobre da cidade de Goiânia. Uma mordaça de gaze e esparadrapo embebida em pimenta, vários dedos das mãos quebrados, a maioria das unhas arrancadas, marcas de ferro quente pelo corpo e dentes quebrados a marteladas completavam o quadro de atrocidades. Objetos como correntes, cadeados e alicates serviam de instrumentos de tortura, que ocorria de forma sistemática. 

A menina, visivelmente traumatizada, relatou à polícia: “Hoje porque eu não
sequei o banheiro dela, ela me acorrentou”. Ela disse que nunca contou nada porque era ameaçada de morte pela empresária. Também foi presa a empregada Vanice Novais, de 23 anos, acusada de participar dos horrores. Ela alegou que torturava a menina “a mando da patroa”. Num caderno, Vanice registrava o dia e a hora das agressões. 

Após a repercussão do caso, outras meninas (pelo menos quatro) revelaram
que também foram torturadas de forma muito parecida, pela mesma empresária. 

Sílvia, que é filha adotiva, ganhava confiança dos pais de meninas pobres
para depois adotá-las informalmente. Suas promessas eram de oferecer estudos para que as crianças tivessem as mesmas oportunidades que ela teve quando fora adotada. Além disso, alegava querer muito uma menina para cuidar. Pois só tinha filhos homens. Instaladas na casa de Sílvia, as meninas eram submetidas a atos de violência, trabalhos forçados, privações de comida e outros suplícios como ingerir fezes de animais. 

A delegada Adriana Accorsi, responsável pelo caso, declarou à revista Veja:

“Ela é sádica, sente prazer em machucar meninas e em momento nenhum
demonstrou arrependimento pelo que fez.”

Na prisão, em entrevista ao programa Fantástico (Rede Globo), Sílvia
confessou ao repórter Vinícius Dônola a autoria do crime: “Devo e vou confessar em juízo o que fiz...”, “Sabe qual que é a história? Eu era a mandante; ela, a executante (referindo-se à empregada doméstica). Essa é a história. Não tem outra história.” 

Quando perguntada por que agiu daquela maneira com a menina, a agressora
respondeu: “Na minha cabeça, eu não achava que tava torturando, na minha cabeça, eu achava que tava educando”, “Minha vida acabou. Eu sei que vou ficar aqui. Eu tenho noção disso. Eu não sou louca.”

Um parente da agressora disse que desde a infância ela apresenta “distúrbio
de comportamento” e um histórico de problemas. Sílvia foi criada de orfanato em orfanato até ser adotada aos 12 anos de idade. Ainda precoce, já demonstrava ser uma criança com sérias alterações de comportamento. Aos 9 anos foi expulsa de uma instituição porque estava atrapalhando a educação das outras meninas. 

Para o psiquiatra forense Guido Palomba, pessoas como Sílvia costumam
alegar que receberam maus-tratos na infância, mas não é verdade. “São pessoas que são de natureza deformada”, “Elas também não têm nenhum arrependimento”. 

(Mentes perigosas - o psicopata mora ao lado, Ana Beatriz Barbosa Silva, 2008, p. 107-109)




sábado, 6 de abril de 2013

A Psicopata que me persegue


O PSICOPATA NOSSO DE CADA DIA


Eles estão em toda a parte, como ervas daninhas.

Na política, nas igrejas, na medicina, em nossos ambientes de trabalho, na vizinhança, entre nossos "amigos"...

Em nossas famílias.

Esta verdadeira "peste" se espalha pelo tecido social e geralmente produz muitos estragos, deixando um rastro de destruição nas vidas de suas vítimas.

No meu caso, a PSICOPATA está há décadas dentro da família, roubando o que pode, lesando, mentindo, traindo... e, pior, reproduzindo seu comportamento delinquente, cooptando cúmplices para os crimes que sua mente transtornada engendra.

No meu caso, a PSICOPATA, em seus delírios de grandeza, me queria travada, internada como louca, enquanto ela, imaginem!, se transformaria numa espécie de minha "tutora", se apropriando de minha casa e meus pertences, destruindo minha vida pessoal e profissional, impedindo meu "brilho" e meu sucesso.

O Supra-Sumo da Cretinice. 

E da criminalidade.

Oportunista. Invejosa. Desonesta. Corrupta. Violenta.

Loba em pele de ovelha.




sábado, 26 de novembro de 2011

Psicopatas: perguntas e respostas



Do site Medicina do Comportamento, da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, autora entre outros do livro Mentes perigosas: o psicopata mora ao lado.


Qual é a definição de psicopata? 


Ana Beatriz: Psicopata é o indivíduo que apresenta um Transtorno de Personalidade, que se caracteriza por total ausência de sentimento de culpa, arrependimento ou remorso pelo que faz de errado; falta de empatia com o outro e emoções de forma geral (amor, tristeza, medo, compaixão etc.). Os psicopatas são frios e calculistas, mentirosos contumazes, egocêntricos, megalômanos, parasitas, manipuladores, impulsivos, inescrupulosos, irresponsáveis, transgressores de regras sociais, muitos são violentos e só visam o interesse próprio. Eles estão infiltrados em todos os meios sociais, credos, culturas e são capazes de passar por cima de qualquer pessoa apenas para satisfazer seus sórdidos interesses. Podemos dizer que são verdadeiros "predadores sociais", almejam somente o poder, status e diversão e usam as pessoas apenas como troféus ou peças do seu jogo cruel.


Psicopata é qualquer maluco ou louco?

Ana Beatriz: Não. É muito comum as pessoas associarem psicopatia à loucura, mas isso é uma ideia equivocada. Em medicina, "loucura" é quando a pessoa apresenta surtos psicóticos (alucinações e delírios), como ocorre com os portadores de esquizofrenia, por exemplo. Os esquizofrênicos vivem numa "realidade paralela", fora de si ou em ruptura com o "mundo verdadeiro", e, exatamente por isso, não têm noção do que fazem. Já os psicopatas sabem exatamente o que estão fazendo, que estão infringindo regras sociais, e que a vítima está sofrendo com suas atitudes maquiavélicas, imorais e antiéticas. Isso porque os psicopatas não apresentam problema algum de ordem cognitiva ou deficiência de raciocínio. A deficiência deles está no campo das emoções: aquilo que nos vincula afetivamente com o outro ou com todas as coisas do universo.


Todo psicopata é um serial killer?

Ana Beatriz: Isso também é um grande equívoco. Somente uma pequena parcela dos psicopatas é serial killer ou assassino em série. A maioria sequer matou uma pessoa ou até mesmo apresenta uma aparência perversa. Para entender isso, é preciso ter em mente que existem níveis variados de psicopatia: leve, moderada e grave. O psicopata leve (a maioria) é aquele que vive de golpes, roubos, fraudes, estelionatos, que engorda ilicitamente suas contas bancárias com o dinheiro público etc. Esses tipos estão disfarçados de líderes religiosos, bons políticos, executivos bem-sucedidos, bons amigos, bons amantes... Eles podem arruinar empresas, destruir lares, dar "rasteiras" nos colegas de trabalho, se promover à custa dos outros, mas não sujam suas mãos de sangue. Geralmente são charmosos, sedutores, inteligentes, aparentam ser pessoas "do bem", possuem grande poder de persuasão e habilidade para enganar quem quer que seja. Estão do lado de fora das grades, convivendo com todos nós, sem levantar suspeitas de quem realmente são. Outros, de fato, são assassinos ou até serial killers e matam tal qual feras predadoras. Porém, qualquer que seja o nível de gravidade, todos, invariavelmente, deixam marcas de destruição por onde passam.


Como reconhecer um psicopata e se proteger?

Ana Beatriz: Reconhecer um psicopata não é uma tarefa tão fácil como se possa imaginar. Até porque, como já dito, a maioria não tem aparência de mau ou descuidada, tampouco possuem uma estrela na testa que os identifica. Até os profissionais da área médica e psicológica podem ser facilmente enganados por eles, uma vez que os psicopatas representam muitíssimo bem. São os verdadeiros atores da vida real. Mas ter cautela é sempre importante quando não se conhece alguém ainda muito bem. Checar seus hábitos, saber um pouco do seu passado, ficar atento ao joguinho "da pena", "do coitadinho" (todos fazem isso num determinado momento). Eles são muito habilidosos em abusar da nossa boa fé. Sem querer ser pessimista, somente realista, antes de reconhecer um psicopata precisamos entender que a maldade existe verdadeiramente. A nossa tendência é sempre achar que o outro não é tão ruim assim e que um dia ele vai mudar. Ao identificar um deles ou perceber que há algo de estranho no ar, alguns cuidados são importantes, mas o essencial é tomar certa distância e jamais compactuar com alguém dessa natureza.


A partir de que idade é possível diagnosticar a psicopatia?

Ana Beatriz: A medicina só pode dar o diagnóstico de psicopatia a partir dos 18 anos. No entanto, ninguém se transforma em psicopata de um dia para o outro. O indivíduo já nasce psicopata. Assim, fica claro que uma criança e um adolescente também apresentam condutas maldosas ou são genuinamente perversos. Isso se percebe nos maus tratos com os irmãos, coleguinhas e animais, nas mentiras recorrentes, roubos de pertences dos outros, transgressões de regras sociais, e especialmente na falta de afeto. Porém, por uma questão de nomenclatura, antes da maioridade o problema é denominado Transtorno da Conduta, antigamente conhecido como delinquência.


Como é feito o diagnóstico?

Ana Beatriz: O diagnóstico é basicamente clínico, ou seja, através da observação do comportamento e do histórico de vida do indivíduo. O exame deve ser rigoroso e o profissional estar muito atento, uma vez que os psicopatas são manipuladores e podem se passar por "gente do bem". Normalmente são os pais que levam seus filhos ao consultório, por não aguentarem mais o seu comportamento desafiador ou transgressor ou por acharem que falharam na educação dos mesmos. Já os adultos dificilmente procuram por um consultório psiquiátrico ou psicológico. Alguns países como o Canadá, Inglaterra, Austrália costumam utilizar na população carcerária um check list denominado Escala Hare ou PCL (desenvolvido pelo canadense Robert Hare). Trata-se de um questionário específico com o qual o presidiário pode ser avaliado através de pontuações. É uma das ferramentas mais confiáveis que se tem até o momento para separar o criminoso comum do criminoso psicopata. Outra técnica que só vem corroborar com o diagnóstico da psicopatia é o exame de neuroimagem (ressonância magnética funcional – RMf). Com essa técnica é possível verificar se o indivíduo apresenta "falhas" em determinadas regiões cerebrais e no sistema límbico (estrutura responsável por nossas emoções). Embora seja um exame bastante preciso, atualmente só é utilizado na realização de pesquisas. No entanto, nada impede que o profissional solicite este exame como mais um elemento comprobatório na identificação da psicopatia, em serviços que possuam essa tecnologia.


Qual é o tratamento? Tem cura?

Ana Beatriz: Em se tratando de saúde mental, só podemos falar em tratamento para as pessoas que estão em sofrimento e apresentam intenso desconforto emocional, que as impede de manter uma boa qualidade de vida. Por mais bizarro que possa parecer, os psicopatas parecem estar inteiramente satisfeitos consigo mesmos e não apresentam constrangimentos morais ou sofrimentos emocionais, como depressão, ansiedade, culpas, baixa autoestima etc. Assim, não é possível tratar um sofrimento inexistente. No que tange aos medicamentos, nenhum deles, até o momento, se mostrou eficaz no tratamento da psicopatia. Tratar de um psicopata é uma luta inglória, pois não há como mudar sua maneira de ver e sentir o mundo. Psicopatia é um modo de ser. O que o médico e/ou terapeuta podem fazer é dar suporte e oferecer tratamento às vítimas dos psicopatas, uma vez que são elas que verdadeiramente sofrem.


A legislação brasileira está atualizada no que diz respeito à punição dos psicopatas?

Ana Beatriz: O problema do Código Penal Brasileiro é que ele agrupa os psicopatas e os doentes mentais na mesma legislação. No entanto, a psicopatia não se enquadra nas doenças mentais padronizadas. Psicopatas não são débeis, tampouco apresentam sofrimento emocional. A psicopatia, por ser um transtorno de personalidade, cujas "falhas" cerebrais estão no campo dos afetos, tem como resultado um indivíduo cujo "modo de ser" se limita a condutas antissociais com enorme potencial destrutivo. Se um criminoso psicopata for condenado e caso ele não receba tal diagnóstico, cumpre penas como presidiário comum, e permanece em celas de criminosos recuperáveis. Quando esse indivíduo sair da cadeia, a sociedade corre os mesmos riscos de antes, uma vez que os psicopatas não aprendem com os erros passados, com qualquer punição ou método de ressocialização. Porém, se este mesmo indivíduo receber o diagnóstico de psicopatia, ele é considerado, pela legislação, um doente mental e se beneficiará de um "tratamento" psiquiátrico em manicômio judiciário. Como não há tratamento nem cura, em tese, ele deveria permanecer o resto da vida nesta instituição, mas sabemos que enganos acontecem e ele pode receber alta de uma hora para outra.


Como é o cenário em outros países?

Ana Beatriz: Em países como o Canadá, Inglaterra, Austrália e em alguns estados dos EUA, onde se aplica a Escala Hare (check list para psicopatia), o psicopata cumpre penas bem mais rigorosas: prisão perpétua em celas específicas, com isolamento. 


O percentual de homens psicopatas é maior? Existe uma razão para isso?

Ana Beatriz: Pelas estatísticas oficiais sim. São três homens para cada mulher. No entanto, não sabemos se as mulheres estão sendo subdiagnosticadas. Isso porque os homens são naturalmente mais impulsivos e agressivos que as mulheres e podem revelar a psicopatia com mais facilidade e/ou visibilidade. Já as mulheres apresentam uma perversidade mais sutil, camuflada, no campo das intrigas. O fato é que não existe nenhuma pesquisa, até o momento, que aponte porque existem mais homens psicopatas que mulheres.



Medicina do Comportamento